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O Bojador

Editorial

Por que Bojador: o jornal que nasce para passar o cabo

Durante séculos, um cabo na costa africana marcou o fim do mundo conhecido. Até que alguém decidiu ir além.

Da Redação

Na costa ocidental da África existe um cabo que, por muito tempo, os navegadores se recusaram a ultrapassar. Diziam que ali o mar fervia, que as correntes arrastavam os barcos para o abismo, que dali ninguém voltava. Era o limite do mundo conhecido. O Bojador.

Por anos, expedições inteiras chegaram perto e deram meia-volta. Não por falta de navios ou de marinheiros, mas por falta de coragem diante do desconhecido. O cabo era menos um obstáculo físico do que uma ideia: a de que havia lugares onde não se deveria ir.

Em 1434, uma pequena embarcação portuguesa contornou o cabo e voltou para contar. Do outro lado não havia monstros. Havia mais mar, mais costa, e um mundo inteiro por descobrir. O medo, descobriu-se, era maior do que o obstáculo.

O nosso cabo

Todo tempo tem os seus cabos Bojador. Assuntos que ninguém quer tocar, perguntas que ninguém quer fazer, poderes que ninguém quer contrariar. O jornalismo que se contenta em navegar perto da costa nunca chega a eles.

Nascemos para fazer o contrário. Para atravessar o que parece intransponível, ir onde poucos querem ir e voltar com os fatos. Sem atalhos, sem lealdades que não sejam ao leitor e à verdade apurada.

O que prometemos

Prometemos independência: nenhum partido, governo ou anunciante decide o que publicamos. Prometemos rigor: cada informação será checada antes de chegar até você, e cada erro, quando houver, será corrigido de forma visível. E prometemos clareza: notícia boa é notícia que se entende.

Esta é a nossa primeira viagem. O mar é largo e o caminho é longo. Convidamos você a embarcar.

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